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ENTREVISTA REABILITAR
(Jô Benetton)

 

Reabilitar: - "Atualmente temos um quadro bastante generalizado de atuações em Terapia Ocupacional; sabemos que o núcleo consiste na tríade paciente-terapeuta-atividade e que o terapeuta deve considerar o conhecimento de técnicas de atividades para um melhor desempenho de sua função (Benetton, Jô)."

Pensando também na tendência atual da visão de saúde e que nos parece ser a Saúde Mental o "carro-chefe" na preocupação com a Saúde Pública, algumas questões vêm à tona:

1 – Como você idealiza a formação de terapeutas ocupacionais, tanto na graduação como em formação continuada?

A formação de terapeutas ocupacionais, em primeiro lugar, deve-se fundamentar na clínica. É através desta prática que se construiu e continuarão sendo construídas as teorias da técnica. Para tanto é necessário que a prática clínica seja elaborada em instâncias de aprendizagem, como: laboratório de análise de atividades, estudo e supervisão de casos. Em segundo lugar e com a mesma importância de estudo anterior é o aprofundamento na análise de autores das teorias das técnicas atuais, levando-se em consideração a literatura do século passado que deu origem a essas teorias.

2 – Comente sobre a entrevista ao Dr José M. Bertolote (Revista Insigth, junho/93), quando falando em Saúde Pública o Dr Betolote, coloca a Terapia Ocupacional no limiar entre uma atuação psicoterápica (pouco específica, eficiente e eficaz) e uma intervenção social. Disserta ainda sobre a distinção entre Terapia Ocupacional e Terapeutas Ocupacionais.

A entrevista do Dr Bertolote data de bastante tempo. Penso que muito de sua fala estava ainda ligada a poucas linhas de teoria da técnica da terapia ocupacional, que após quase uma década tem evoluído com mais precisão: a terapia ocupacional como métodos e os terapeutas ocupacionais com um lugar próprio. No que diz respeito à Terapia Ocupacional e a Saúde Mental, por exemplo, hoje consideramos que os procedimentos de terapia ocupacional visam sempre a saúde mentas, independente da clínica ou área de assistência.

3 – Em continuação à questão anterior, como criar um corpo teórico consistente quando falamos em atividade. Sabemos que é um setor de domínio pratico e principalmente teórico seu. Como você vê as especificidades da utilização da atividade no campo da Terapia Ocupacional, pensando-a como profissão que atua em varias frentes da Saúde, não apenas na psiquiatria.

É realmente minha linha de estudo e pesquisa a epistemologia e a clínica da terapia ocupacional. No que diz respeito a atividades, instrumento da terapia ocupacional, sua especificidade tem sido por mim estudada através do conceito de relação triádica, sendo que na composição dinâmica proposta esta à particularidade de sua aplicação. A relação triádica, composta por paciente-terapeuta-atividades, implica uma forma particular de relação em terapia ocupacional, baseada em duas dinâmicas: a do sujeito alvo da assistência da realização de atividades. Esta construção teórica impõe uma lógica e uma aplicação específicas para a terapia ocupacional.

4 – Qual sua opinião sobre o mercado de trabalho em Terapia Ocupacional atual e perspectivas futuras?

Após trinta anos de um mercado difícil para nossa jovem profissão, vejo hoje, em todas as áreas a ampliação do mercado de trabalho. Um dos fatores que mais observo e que é de suma importância, é o investimento das instituições e mesmo pessoal dos terapeutas ocupacionais na formação continuada. A Terapia Ocupacional é uma profissão que exige profundo conhecimento e cultura, por outro lado, permite uma condição ampla de trabalho, em instituições, organizações, empresas, indústria; do hospital à comunidade, se estendendo a vários campos da saúde e educação aos das pesquisas e das administrações.

 

Letícia Savoi
Coordenadora Científica da Reabilitar